Passava ontem na rua e vi um velho Ford Taunus, daqueles que revolucionaram o mundo automóvel ao saírem equipados com quatro velocidades para a frente e uma marcha-atrás. Vi o velho Ford, dizia, com um frondoso ramo de maias entalado em cada um dos pára-choques. Olhei em volta e nada. Tudo como nos outros dias. Se alguém tinha plantas à janela, era porque as ali tinha em Abril e as terá, salvo de secarem, em Junho. Vasos de florinhas viçosas mas sem memória, floreiras cheias de sardinheiras cheirosas mas sem glória, trepadeiras que lentamente procuram asfixiar as casas, no seu abraço paulatino e desconcertante. Maias, nem vê-las. Só as colocadas no velho Taunus, pertencente, digo eu, a um homem tão anacrónico como a viatura que teima em manter, mantinham viva a tradição da noite do Carrapato! Pena ter-se, como tantas outras, perdido a tradição de proteger a casa com os raminhos de giesta florida. As ruas, por muito urbanas que fossem, por muito que por lá passassem carros e gente apres...
um edifício mental construído para manter acesa a chama e reforçar a confusão