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História de vida - Antena 1

No dia 22 de Março, Domingo, às 13h00, o programa História de Vida, passará: O prego. Fica atento.
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Lançamento de livro Manual do Suicida

É com o sentimento que reflecte a foto que agradeço a todos quantos estivam comigo. Até à próxima. p az.

Fim

Como tudo que acaba bem, o zigurate acaba sem sobressaltos. É a hora dos Vampiræ .

Infecção 1

Sempre fui um vampiro. Durante mais de 10 000 anos existi numa não vida, como um não ser. Era perfeito, era equilibrado, era belo na certeza das coisas eternas. Eras passaram por mim sem que desse conta ou sentisse sequer cansaço ou fastio. Renovaram-se, evoluíram, homens e demais bichos, moveram-se montanhas, secaram e encheram-se rios. Tudo perante mim surgia, por mim passava e por fim desaparecia. No ininterrupto ciclo da existência só eu permanecia. Sem ser um Deus, era mais do que um homem; tendo sido um homem, cumpri a aspiração destes, libertando-me das grilhetas do efémero. Já me tinha esquecido de como era sentir a vida; já se apagara o pulsar do sangue nas veias, da fome, do calor ou do frio, do chão duro sob os pés; já tinha abandonado o desejo de possuir; já tinha entregue a paixão de ser; já tinha perdido a memória dos filhos que vi nascer e criei. Era uno com o mundo, embora ele me temesse e amaldiçoasse. Não queria o mal dos homens, amava-os na condição de alimento, na c

Asas

Observavam-nos a bater as asas num frémito desengonçado; ela, ainda na penugem, dava com elas no ar e pouco mais; mesmo assim, a força e a tenacidade postas na brincadeira, deixavam entrever uma lutadora; mais à borda, o mais velho ensaiava batimentos que produziam resultados; elevava-se uns centímetros acima do ninho mas logo fechava as asas ao sentir a falta dos gravetos e penas debaixo das garras que, por ora, ainda se podiam considerar fofas; quer um quer outro demonstravam segurança e potencial impensáveis à apenas uma geração; felizmente comuns nesta que se quer de um novo paradigma de conhecimento e de um muito velho paradigma de amor; a mãe voltou-se para fora do ninho e, com um suave impulso, mergulhou no abismo de pedra; ganhou velocidade e abriu as asas, fez uma curva para a esquerda e começou a subir, a subir, a subir; os três olhavam a mãe, lá em cima, num voo meigo e plácido, de bem com os ventos e com as correntes; era tão certa como o nascer do sol, segura e diligente,

1. O suicídio por hemorragia

Notas prévias e importantes (volto a lembrar): 1º Este texto é um exercício de criatividade. Não pretende, nem poderá, retratar situações reais. 2º Este texto não existe fora da cabeça de quem o escreveu e esvanece no momento em que quem o lê termina cada palavra. 3º NÃO ACONSELHO NINGUÉM AO SUICÍDIO. Na minha opinião, é sempre melhor VIVER. Não procuro com este texto – ou outros –, levar, conduzir, apoiar ou encorajar o suicídio de quem quer que seja. 4º Se te queres matar, não deixes na carta que fui eu quem to aconselhou. Procura ajuda. VIVE! [Hemorragia – do Lat. haemorrhagia < Gr. haimorrhagia, (s. f.), é o derramamento do sangue para fora dos vasos sanguíneos.] Pousou a caneta, sem a tapar; pegou na folha e dobrou-a em três, cuidadosamente; meteu-a no envelope, sem pressas; humedeceu a boca demoradamente e lambeu a aba do envelope, devagar, para lá e para cá. Ficou-lhe na língua o gosto a cola de farinha, e soube-lhe a ela. Lembrou-se dela como se fosse esta a ultima

Da crueldade e da piedade — se é melhor ser amado ou temido

Mesmo não sendo principes, vale muito a pena ler e concluir pela nossa cabeça. Só pela nossa cabeça. MAQUIAVEL, Nicolau. Da crueldade e da piedade — se é melhor ser amado ou temido In: O príncipe. (trad. Olívia Bauduh) São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Col. Os Pensadores). Excerto d'O Príncipe (Cap. XVII) de Nicolau Maquiavel Continuando na apresentação das qualidades mencionadas, digo que cada príncipe deve preferir ser reputado piedoso e não cruel; a despeito disso, deve cuidar de empregar adequadamente essa piedade. César Bórgia , embora tido como cruel, conseguiu, com sua crueldade, reerguer a Romanha, unificá-la e guiá-la à paz e à fé. O que, bem analisado, demonstrará que ele foi mais piedoso do que o povo florentino, o qual, para fugir à fama de cruel, permitiu a destruição de Pistóia. Ao príncipe, assim, não deve importar a pecha de cruel para manter unidos e com fé os seus súbditos, pois, com algumas excepções, é ele mais piedoso do que aqueles que, por clemência e