Sentou-se num banco de pedra ao lado de uma biquinha de água. Nem viu como era bonita a construção centenária. Cravada na encosta que rematava um dos lados da estrada, a bica alimentava um tanque. Uma santinha guardava as águas que caíam e a mimosas que cresciam desordenadas davam sombra e frescura num dia em que ambas eram escassas. A passarada piava animada; eles chamavam-nas a elas e repeliam-nos a eles, numa cantoria que só pássaro entende. O músico, estafado, pronto a desistir e a voltar noutro dia com equipamento de montanha, aos poucos recobrou o físico mas não o espírito. Que estava ele ali a fazer? Já tinham passado mais de dois anos, tanta coisa pode mudar em dois anos. E se, chegado, não souber dizer as coisas como deve ser, se as coisas não puderem ser ditas como devem ser ditas. O mal foi feito e nada, há dois anos, ou agora, foi feito para o desfazer. Ou mesmo o atenuar. Custou tanto, tanto. Deu em tolo, zangou-se com toda a gente, família, perdeu amigos. Deitou-os fora é...
um edifício mental construído para manter acesa a chama e reforçar a confusão