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Mensagens

O Patinho que grunhia (1)

Era uma vez uma mãe pata e um pai pato. Juntos fizeram um ninho onde a mãe pata colocou quatro ovos. Estes patos não eram uns patos quaisquer, não senhor, eram patos reais, senhoriais e territoriais. Tinham uma capoeira só para si no meio de um grande cercado e acesso exclusivo ao lago. Por cima do portão da entrada, o pai pato mandou gravar uma lápide com a sua real origem:
Reino: Animalia;?Filo: Chordata;?Classe: Aves;?Ordem: Anseriformes;?Família: Anatidae.?Era primo afastado do Tio Patinhas e a mãe pata filha de um mandarim chinês muito famoso.
Reais que eram os pais, também os ovos o eram, e todos os cuidados eram poucos para que os patinhos e patinhas dentro deles se desenvolvessem nas melhores condições. O ganso mudo, bicho de poucas falas, inspeccionava os ovos diariamente. Médico licenciado pela universidade dos bichos, escutava ovo a ovo com um estetoscópio de ovos e colocava-os contra o sol para, aproveitando a translucidez natural das cascas finas, confirmar o vigor dos pati…

Saber

Ouço todos os professores, de todos os graus de ensino, dizerem que os seus alunos nada sabem, que se não lhes pode alongar o discurso sem que se percam ou aprofundar as matérias sem que se confundam. Queixam-se ainda que vêm mal preparados, que não dominam os conhecimentos base, obrigatoriamente adquiridos em etapas anteriores e que não têm nem hábitos, nem métodos de estudo. Será fácil a qualquer um apontar um caso, ou dois, deste ou daquele licenciado, nesta ou naquela ciência, que é, como alguém já disse, um analfabeto especializado; poderá mesmo haver alguém que tome este ou aquele caso e o generalize ao todo da população licenciada; poderá ou não ter razão, dependendo de quem lha dá. Se apontarmos o olhar para os que não concluíram a escolaridade obrigatória, os exemplos serão porventura mais abundantes e mais marcantes, logo mais simples de apontar, referir e generalizar.
Que a educação vai mal; que o facilitismo impera; que as políticas postas em prática são sempre as erradas …

Saudade

Se há palavras portuguesas, saudade é seguramente uma delas.

Para A Enciclopédia, edição do Público, obra planeada e realizada pelos Serviços do Departamento de Enciclopédias e Dicionários da Editorial Verbo, Saudade é nf Lembrança, suave e triste ao mesmo tempo, de um bem do qual se está privado; pesar, mágoa que nos causa a ausência de pessoa querida; nostalgia; pl (fam.) cumprimentos, lembranças afectuosas a pessoas ausentes.

O dicionário da Porto Editora, na sua 7ª Edição de 1994, define Saudade como s. f. melancolia causada por um bem de que se está privado; mágoa que se sente por ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou acções; pesar; nostalgia; pl. cumprimentos a uma pessoa ausente; lembranças.

O dicionário Universal da Língua Portuguesa On-line da Texto Editores, define Saudade (do ant. soedade, soidade, suidade do Lat. solitate, com influência de saudar) como s. f. lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as …

Comentário ao livro: 'Um Discurso Sobre as Ciências', de Boaventura Sousa Santos

Este e outros títulos disponíveis em: www.lulu.com



NOTA IMPORTANTE:

Tenho reparado nas visitas assíduas que este post recebe. Notem por favor que o comentário é pessoal e interpretativo, isto é, esta versão tem, para além da análise ao texto, considerações de minha lavra, deixando por isso de respeitar o espírito do autor.

Agrada-me bastante que leiam o post e o refiram, mas por favor, ressalvem a sua natureza pessoal e possivelmente arredia do rigor e sapiência com que nos brinda Sousa Santos.

Se mesmo assim for importante à vossa pesquisa, há um e-book disponível para download em: www.lulu.com/zigurate.

p az.




Resumo
Reflexão sobre o pensamento e método científicos. Aborda o pensamento vigente, identifica pontos de ruptura e aponta uma nova forma de encarar a ciência e fundamentalmente, uma nova perspectiva da dualidade ciência natural / ciência social.

Comentário
Este texto procura mostrar ao leitor a evolução do pensamento científico desde a sua primeira revolução, no séc. XVI, até um futur…

A estrada (5)

Sentou-se num banco de pedra ao lado de uma biquinha de água. Nem viu como era bonita a construção centenária. Cravada na encosta que rematava um dos lados da estrada, a bica alimentava um tanque. Uma santinha guardava as águas que caíam e a mimosas que cresciam desordenadas davam sombra e frescura num dia em que ambas eram escassas. A passarada piava animada; eles chamavam-nas a elas e repeliam-nos a eles, numa cantoria que só pássaro entende. O músico, estafado, pronto a desistir e a voltar noutro dia com equipamento de montanha, aos poucos recobrou o físico mas não o espírito. Que estava ele ali a fazer? Já tinham passado mais de dois anos, tanta coisa pode mudar em dois anos. E se, chegado, não souber dizer as coisas como deve ser, se as coisas não puderem ser ditas como devem ser ditas. O mal foi feito e nada, há dois anos, ou agora, foi feito para o desfazer. Ou mesmo o atenuar. Custou tanto, tanto. Deu em tolo, zangou-se com toda a gente, família, perdeu amigos. Deitou-os fora …