Por vezes dou comigo a pensar na morte da bezerra, em como as cegonhas saíram a ganhar com os postes de alta tensão, como o Afonso se encaminha para a adolescência de forma enfunadamente serena, como a Leonor tem tanto de espevitada como de graciosa, de quanto se agiganta o meu amor pela Isabel nos momentos em que estamos longe, e, lá para o fim de uma longa lista de pensamentos capitais, como é belo o sol que se põe. É geralmente por essa altura, frente a frente com o sol, que ouço as flautas dos faunos no vento que se encaracola nas minhas orelhas arrebitadas. Tão leve é a sua música que nem sei se é música ou sequer se existe. Pode não existir mas está lá e eu ouço-a. Logo o horizonte se demarca da sua função e passo a ver para lá dele, seguindo o curso do sol. Céu e mar separam-se, abrem a grande porta para além da qual deixam de existir dúvidas e carências. De lá sai Tétis, ou Káli, ou Maria, tanto faz. Não a vejo, ofuscado pelo sol, apenas a imagino, a chamar-me, a querer mostra…
um edifício mental construído para manter acesa a chama e reforçar a confusão