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Mensagens

Pôr a vida a mexer

Os antigos gaulases achavam que o céu lhes podia cair em cima, fazendo disso temor maior. São aval desta verdade histórica e indubitável, a obra de Goscinny e Uderzo, documentando a sociedade gaulesa em ricos pormenores de usos e costumes, organização política, negócios estrangeiros, arte da guerra, conhecimento científico, cultura musical e arquitectura, relacionamento social, actividades económicas e outros aspectos de uma civilização que doutra forma estaria esquecida. A ruína do firmamento era para estes irredutíveis individuos a catástrofe das catátrofes, o fim a ferro e fogo, o olvidamento. Seria pois admissivel que, como outros povos com semelhantes medos, tratassem de aplacar a eventual e sempre politicamente oportuna cólera de Toutatis com repetidos e sanguinários sacrificios. Goscinny e Uderzo são omissos na sua obra quanto a essas práticas, por certo não encontraram provas arqueológicas de tais actos que, de tão importantes, estariam documentados nas pedras. Se tamanho medo…

beija-me

beija-me uma vez
beija-me sete
beija-me setenta vezes
vezes sete

que te beijo uma vez
te beijo sete
beijo-te setenta vezes
vezes sete

amor que nunca esquece
o beijo mais fecundo
que só ao amor obedece
sete vezes, vezes o mundo

Ceifeira de Guerra de Leonardo da Vinci

Ceifeira de Guerra

Colocado por zigurate.

A guerra é espanto
A fome, purificadora
A ditadura, harmoniosa
E deus, esse, está morto

Morto ele, morto por ele
Tão morto que vive
De tão vivo que morre
Morro sem morte

O cordeiro mostra os dentes
O íbis exibe as garras
Deus revela a negra fauce
O tirano adormece crianças

Perante todos sangrará o
Porco, deitado no prato
Preto da balança.
No branco, cabe todo o resto.

p az.

a conversa

pax mundi
Originally uploaded by zigurate.

já?
sim, mãe. já.
que fazes aqui? não te esperava senão daqui a muitos anos.
eu sei.
que se passou?
não sei bem, mal tive tempo de me aperceber.
desististe?
talvez. sim, desisti.
e eles?
acho que ficaram bem. podemos vê-los?
vem cá, vem ao meu colo. quero voltar a pegar em ti.
mãe?
sim.
o pai?
não mais o vi.
acho que não está aqui.
pena. queria conhecê-lo.

Marcelo Rebelo de Sousa 1 - 0 Todos os outros

A propósito da saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI.
Que um obscuro ministro do governo de Santana Lopes acuse, em nome do governo a que pertence e em nome do seu Primeiro Ministro, as estocadas semanais de MRS na TVI, entende-se, dado ser este um governo de actos menores, composto por gente de acções menores e liderado por um espírito que de há muito se releva prepotente e imaturo. Entende-se a forma como foi feito e porque foi feito. Usando a papa-açorda que é a comunicação social como correia de transmissão, este governo manifestou de forma nunca vista em trinta anos, o seu incómodo perante uma voz que, reconhecidamente elucidada e assertiva, tem perante este Primeiro Ministro, uma particular azia, tanta que nem o seu elevado intelecto consegue disfarçar.
Feita a 'indemocrática' acusação e entendidos, se bem que ainda incompreensíveis, os seus motivos, persiste no meu pensamento uma dúvida: o que terá levado MRS a anunciar a interrupção de um projecto de mais de quatro ano…

tenho uma dúvida (de: 24.jul.02)

sacre coeur
Originally uploaded by zigurate. desde que me lembro que vivo em conflito com o divino. aceito mal, e com profundas reservas, a prática cristã e muitos aspectos da sua doutrina, em especial os ligados à hierarquia, santidade de alguns, infalibilidade de outros (ocorre-me Urbano II), e o cilício penitente com que desde sempre vestiram o 'bom' judaico-cristão.
quanto Cristo disse: "-dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como eu vos amei.." -estaria a dizer: "-agora tendes 11, cuidado!" -ou então: "-este revoga a legislação anterior."?
qual será então a verdadeira mensagem de Cristo?
julgo que a traduzida pelos evangelhos e encíclicas papais é uma "aquinização" (perdão) da mensagem original. Cristo falava para gente simples, sem profundidade intelectual, incapaz de compreender os evangelhos (haverá quem os compreenda verdadeiramente, ou apenas os interprete, com as implícitas consequências do juízo). a mensagem terá …

No planeta dos Crispins — o começo

A nossa história começa num tempo em que os crescidos dizem estar tudo ao contrário. Eles dizem que o mundo perdeu os seus valores, que as coisas não são como eram antigamente. Ouvimos os crescidos falarem-nos de um mundo muito diferente: andava-se quase sempre a pé, poucas casas tinham telefone, não havia computadores nem consolas de jogos, os brinquedos eram feitos à mão com panos, latas, paus, e que mais houvesse. Muitas meninas não iam à escola e dos meninos e meninas que iam, a maioria só lá ficava quatro anos. Muito poucos passavam para o ciclo, menos para o secundário e quase nenhuns para a faculdade. Começava-se a trabalhar com doze, dez, às vezes oito anos. Muitos jovens, para ganharem mais dinheiro, iam trabalhar para outros países, submetendo-se a condições de vida ainda mais difíceis que no seu próprio país. Quase todas as pessoas trabalhavam na agricultura ou nas fábricas. Havia também muitos pescadores. Não existiam hipermercados nem centros comerciais. Haviam mercearias…